Lanterna

Privatização não salva CEEE de ser a pior do Brasil

Redação

Publicado quinta-feira, 03/04/2025, às 17:30

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📸 Arek Socha/Pixabay/arquivo

A CEEE Equatorial foi classificada como a pior distribuidora de energia do Brasil em 2024, conforme divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nessa quarta-feira (2). Uma posição também conhecida como “lanterna”, aquele utensílio que se usa quando falta energia elétrica.

O índice de desempenho da empresa atingiu 1,76, o pior da série histórica desde o início da publicação do ranking, em 2011.

O índice considera dois fatores principais: o tempo médio que cada unidade consumidora ficou sem energia elétrica e a frequência das interrupções ao longo do ano. Quanto menor o DGC, melhor a qualidade do serviço prestado.

A concessionária, que atende aproximadamente 1,8 milhão de clientes no Rio Grande do Sul, foi privatizada pelo governo de Eduardo Leite (PSDB) em 2021, com a justificativa de que, nas mãos do mercado lucrativo, ela cumpriria os parâmetros mínimos de qualidade exigidos pela Aneel.

No entanto, o caminho foi inverso. Hoje a companhia tem dados de (falta de) qualidade bem piores do que quando era uma estatal. O indicador de tempo médio de preparação, deslocamento e execução passou de sete horas em 2021 (ano da privatização e já sucateada) para mais de 13 horas em 2023.

Histórico negativo

A CEEE Equatorial ocupa posições inferiores no ranking da Aneel há anos. Em 2023, seu DGC foi de 1,63, o que a colocou na penúltima posição entre as 29 concessionárias avaliadas naquele ano. Nos últimos sete anos, a empresa figurou como a pior distribuidora em cinco ocasiões. As exceções foram em 2018 e 2023, quando ficou em penúltimo lugar.

O levantamento da Aneel abrange o período de janeiro a dezembro de 2024 e exclui eventos climáticos extremos. Mesmo assim, a CEEE Equatorial apresentou um desempenho significativamente inferior ao das outras 30 distribuidoras. Para efeito de comparação, a 30ª colocada, Equatorial Goiás, registrou um DGC de 1,19.

RGE também cai no ranking

Outra distribuidora que atua no Rio Grande do Sul e atende cidades como Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, a RGE, também apresentou piora no ranking da Aneel. A concessionária, que atende cerca de 3 milhões de consumidores, caiu seis posições, ficando em 15º lugar entre as 31 companhias avaliadas. Seu DGC foi de 0,74, frente a 0,69 em 2023, quando ocupava a 9ª posição.

Melhores e piores desempenhos

A CPFL Santa Cruz, que opera no estado de São Paulo, foi eleita pelo quarto ano consecutivo a melhor distribuidora de energia do Brasil, com um DGC de 0,58. Na outra ponta do ranking, a CEEE Equatorial obteve o pior desempenho entre todas as companhias avaliadas.

Ranking 2024

Melhores desempenhos

1º CPFL Santa Cruz: 0,58
2º EPB: 0,62
2º ERO: 0,62
4º Neoenergia Cosern: 0,63
5º ESS: 0,64

Piores desempenhos:

28º Cemig: 0,91
29º Copel: 0,92
30º Equatorial GO: 1,19
31º CEEE Equatorial: 1,76

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