Venâncio Aires

Empregados públicos investigados podem ter atrapalhado combate à dengue

Redação

Publicado segunda-feira, 31/03/2025, às 18:09

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📸 Gov. Venâncio Aires/arquivo

Os quatro empregados públicos da prefeitura de Venâncio Aires que estão sendo investigados internamente podem ter prejudicado o combate à dengue no Município, caso as acusações contra eles sejam comprovadas.

De acordo com duas fontes que contataram o Portal Significa sob a condição de anonimato, os investigados são um homem e três mulheres que trabalham na Vigilância Ambiental e são responsáveis, entre outras tarefas, por visitas para verificar focos do mosquito da dengue na Capital do Chimarrão.

Eles são acusados de inserir dados falsos nos sistemas do Ministério da Saúde e do governo estadual. Com base nessas informações, o Ministério destina verbas para o combate à dengue.

Ao falsificar esses registros, os funcionários poderiam estar alterando a distribuição dos recursos e comprometendo as ações de controle da doença. Por exemplo, se no sistema for inserido, falsamente, que não há focos do mosquito no bairro Aviação, as ações de combate ao vetor nessa região seriam reduzidas, por consequência.

Trabalhar menos

Mas o que esses empregados ganhariam com a falsificação? Segundo as fontes que entraram em contato com nossa redação, a vantagem seria trabalhar menos do que deveriam, pois, ao inventar dados sobre focos do mosquito, não precisariam visitar as residências.

“Implantaram dados de coleta de larvas onde não havia, tanto em planilhas do governo estadual quanto do federal. Vários indicadores de infestação foram maquiados por eles”, relatou uma das fontes.

Caso se confirme a inserção de dados falsos, os quatro empregados públicos podem ter causado prejuízo direto a moradores, tornando alguns proprietários passíveis de notificações ou multas indevidas.

Ameaças

Além disso, uma das fontes afirma que os investigados chegaram a ameaçar colegas que denunciaram as irregularidades internamente. Se comprovadas, essas ameaças representariam mais um crime atribuído ao grupo, além de, em tese, falsificação de documento público e inserção de dados falsos em sistema de informação — também conhecido como peculato digital.

Polícia Federal

Como um dos sistemas envolvidos pertence ao Ministério da Saúde e se traduz em verbas federais, a investigação pode ser de competência da Polícia Federal (PF).

Nossa reportagem questionou a prefeitura sobre o registro de alguma ocorrência junto à PF, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O governo Jarbas da Rosa (PDT) também não informou quais medidas foram adotadas para corrigir eventuais inconsistências nos dados e se há previsão de afastamento dos quatro empregados públicos celetistas envolvidos.

As quatro pessoas citadas como alvo da investigação foram contatadas pela reportagem, mas também não responderam.

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