CPI dos Colchões ainda dorme

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Em Venâncio Aires, ainda dorme em sono profundo a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) solicitada pelo vereador Ezequiel Stahl (PL) para investigar o desaparecimento de mais de 1.700 colchões que deveriam estar à disposição das vítimas da enchente, mas não foram encontrados no estoque da prefeitura. A ausência foi detectada em uma auditoria interna realizada no último quadrimestre do ano passado.
No dia 11 de março, foi lido o requerimento que instaurou a comissão, mas o passo seguinte, previsto no regimento, não foi dado pelo presidente da Câmara, Dudu Luft (PDT): a escolha dos três membros da CPI, respeitando a proporcionalidade dos partidos na Casa. Vinte dias depois, essa definição de nomes ainda não ocorreu.
“Estão segurando [a CPI] na Câmara, uma verdadeira vergonha. Simplesmente fazem como querem por terem a maioria”, declarou nesta terça-feira (1º) o vereador proponente, Ezequiel Stahl. A maioria citada pelo vereador é composta pelos partidos PDT, MDB, PSD, Republicanos e Podemos, que compõem a base do governo e detêm 10 dos 15 votos no Legislativo municipal.
Quantos dias de sono?
A CPI sonolenta levanta outra questão: o prazo de 120 dias previsto para sua duração já está contando? A lógica aponta que uma CPI sem Comissão (C) e sem Parlamentares (P) não permite Inquérito (I), mas nem sempre a política segue a lógica.
O vereador Ezequiel Stahl não respondeu diretamente a esta dúvida levantada pela reportagem, mas deu a entender que a CPI ainda não começou.
Modo soneca
“Estou ansioso para iniciar, mas, pelo visto, a base governista está segurando para dar tempo ao governo. Creio que querem abafar o caso ou buscar uma solução no Executivo antes da CPI começar. Por isso, considero que a CPI causou medo e fez o Executivo agilizar as investigações. Em outros procedimentos, eles levam meses para dar uma resposta. Mas quero o início da CPI para poder apurar os fatos e dar um retorno verídico à comunidade”, afirmou.