Governo mantém tarifa e confirma free flow em Venâncio
Leilão do Bloco 2 de rodovias será em março de 2026 e prevê investimento de R$ 6 bilhões
📸 CSG/divulgação
O governador Eduardo Leite (PSD) anunciou nesta terça-feira (28), em Porto Alegre, novos detalhes sobre o edital de concessão do Bloco 2 de rodovias estaduais. O lançamento está previsto para a primeira semana de novembro, e o leilão deve ocorrer em março de 2026, na Bolsa de Valores de São Paulo.
O governo do Estado projeta assinar o contrato com a empresa vencedora em agosto do mesmo ano. O investimento total estimado é de R$ 6 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão de aporte do fundo de ajuda federal pela enchente histórica de 2024.
Novo local
Entre as principais alterações apresentadas, está o reposicionamento de pórticos do sistema de cobrança automática (free flow), verdadeiras máquinas de multar.
No caso de Venâncio Aires, o equipamento será instalado praticamente no limite com Mato Leitão, na RS-453. Antes estava previsto para o quilômetro 10, onde geraria cobrança de pedágio para quem se deslocasse de Palanque para o centro da cidade, por exemplo.
A Capital do Chimarrão será uma das poucas cidades do País a ter dois pontos de cobrança de pedágio em seu território, considerando o já existente na RS-287.
No segundo ano
O projeto mantém a previsão de 24 pórticos em todo o lote 2, que abrange Venâncio Aires, Mato Leitão, praticamente todo o Vale do Taquari e parte da Serra. Essas estruturas, no entanto, só entrarão em operação a partir do segundo ano da concessão. Até lá, a cobrança ocorrerá apenas nas praças físicas já existentes, como a de Cruzeiro do Sul.
Com a implantação definitiva do modelo eletrônico, sem cancelas, as praças tradicionais serão desativadas e demolidas.
O governo também confirmou a duplicação de todo o bloco.
No trecho sobre o Arroio Castelhano, em Venâncio Aires, a ponte atual será mantida, enquanto uma nova estrutura, mais elevada, será construída ao lado, na suposta duplicação.
Já subiu
Além disso, foi divulgada a revisão das tarifas máximas previstas para os pontos de pedágio de Cruzeiro do Sul e Venâncio Aires. A previsão anterior era de um teto de R$ 2,92 para a Capital do Chimarrão e R$ 2,44 para Cruzeiro. O novo edital, segundo o Piratini, aumentou esses valores para R$ 3,12 e R$ 2,61, respectivamente.
Apesar das manifestações contrárias de entidades, lideranças regionais e apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado, o valor de R$ 0,19 por quilômetro rodado foi mantido no edital. A taxa é considerada uma das mais altas do País.
Garantia nenhuma
O governo afirma que esse valor por quilômetro representa apenas o teto de referência, e a expectativa é de que o preço efetivo fique abaixo desse limite após o leilão.
Contudo, mesmo que um grande deságio ocorra, começar com “preço baixo” não é garantia de nada.
Entidades, cidadãos, empresários e políticos protestam para baixar a tarifa agora, mas abandonam a causa depois da concessão.
Ninguém mais luta por tarifa a preço combinado no leilão quando empresas estrangeiras pedem sucessivos “reequilíbrios financeiros” e jogam o valor das cobranças para as alturas em poucos anos de concessão, além de não fazerem a manutenção básica da rodovia, de manterem letais e sinuosos desvios pós-enchente e de construírem desvios estreitos e esburacados com a justificativa de que é muito importante ter uma balança de movimento na rodovia principal.
Barato que saiu caro
Em 2020, o governo estadual comemorou um deságio de 54,4% no leilão da tarifa de pedágio da RS-287, entre Tabaí e Santa Maria. O valor para carro de passeio foi estipulado em R$ 3,36 naquela ocasião. No mês que vem, deve subir para R$ 5,25. A alta chegará a 56,25% em cinco anos, enquanto a inflação do período foi de 34,13%.
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